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domingo, 30 de setembro de 2018

Primeiro mimeógrafo da escola

Professora Linda Maluli relata à Rosa Chimoni em sua obra Transversais Versões, vol. 2, a passagem pelo Plínio na década de 1960.  É com muita satisfação que acrescentamos o trecho desta valiosa história, para juntos, rememorarmos essa época tão especial.


"Em 13 de julho de 1962 ingressei no Magistério Público do Estado de São Paulo por pontos.  Principalmente pelos obtidos na alfabetização de adultos. Minha primeira escola nesta fase efetiva foi o Grupo Escolar Plínio Paulo Braga no Taboão que era considerado zona rural. Hoje ali é bairro bastante desenvolvido e populoso. O antigo grupo escolar é a E. E. Plínio Paulo Braga.
Na época a Avenida Otávio Braga de Mesquita que conduzia ao Taboão não tinha asfalto.  Quando chovia descíamos do ônibus e percorríamos a pé a ladeira de 2 km. O ônibus não podia descer... Eu amava a escola e os alunos. Exerci a profissão plenamente.  Tive um aluno convulsivo e quando começava a crise eu o levava para fora da classe. Ele ficava deitado no chão e eu lhe segurava as pernas com as minhas. Muitas vezes vinha outra professora que segurava seu rosto para que não se machucasse. O restante da classe continuava as lições normalmente. Naquele tempo era assim: respeito.
O computador e a impressora nessa época eram o mimeógrafo e não tínhamos na escola. O mimeógrafo era um aparelho pesado e retangular que possuía 2 rolos de feltro e uma almofada que deveria ser embebida no álcool. A matriz era colocada num dos rolos com o texto ou desenho preso ao contrário. No outro rolo o papel sulfite se encaixava. Entre eles se girava a manivela e o texto ou desenho saía impresso do outro lado no sulfite em preto e branco. Na verdade azul ou roxo dependendo do estêncil usado. Era um trabalhão mas era o máximo de tecnologia existente.
Conversei com o diretor professor José Carlos. Pedi para fazermos o dia da pipoca e assim arrecadaríamos dinheiro para comprar um mimeógrafo. Ele achava que não daria certo.
O bairro era muito pobre e as crianças não teriam dinheiro. Depois de muita insistência consegui autorização. Divulguei e fiz propaganda. Falava a toda hora do dia da pipoca. Mesmo aquela região sendo muito carente vendemos pipoca o dia inteiro. No final do dia conseguimos a quantia necessária para a compra desejada. O primeiro mimeógrafo do Plínio Paulo Braga."

Na foto: Professores (as) Edson, Margarida, Darci,  Ditinha, Joana, Linda Maluli e o diretor Jose Carlos.
Transversais Versões 2, página 118.

Biografia da docente Linda Maluli

    Filha de libaneses imigrantes, nascida dia 17 de agosto de 1940, na cidade de Tupã, interior de São Paulo. Iniciou os estudos na cidade Flórida Paulista, frequentando a Escola Estadual Flórida Paulista. Em 15 de novembro de 1950, a família se muda para Guarulhos, bairro na época precário.  Retornou os estudos na cidade, no grupo escolar de Gopouva que só possuía a terceira série, transferindo-se depois para o Capistrano de Abreu.
    Depois, através de um exame de admissão, estuda no Ginásio Estadual de Guarulhos que funcionava à noite no mesmo prédio do Capistrano. Na época, só existia esse ginásio e não existia diurno. Concluindo a quarta série colegial, e como não tinha escola que desse continuidade, estudou no Instituto Feminino de Educação Padre de Anchieta no Pari, São Paulo em 1957. Nesse mesmo ano começa a ministrar aulas no curso de alfabetização de adultos, fazendo parte do quadro voluntário do Grupo Escolar de Gopouva, onde já estudava.
    Se forma em 1959 como professora. Antes de efetivar, ministrou aulas na Escola Mista do Jardim Santa Bárbara e era professora-aluna em 1956. Escola Mista do Lar Santo Antônio hoje Colégio Virgo Potens em 1961 e no ano seguinte na Escola Mista Santa Catarina até julho.
   Em 1962 se efetiva no Grupo Escolar Plínio Paulo Braga, removendo-se no ano de 1969 para o Grupo Escolar Capistrano de Abreu. Em 1971 é designada a assumir um cargo para responder pela direção do 3º Ginásio Estadual de Guarulhos que funcionava à noite no mesmo prédio do Grupo Escolar da Vila Flórida.
  Efetivou de 1963 a 1965 no Sesi, exonerando em seguida para cursar Pedagogia em São José dos Campos.
  Por volta de 1971 ou 1972, muda-se para a EEPG de Gopouva. Após uma nova reforma educacional tornou-se simplesmente E. E.  Annita Saraceni. Hoje está extinta e em seu prédio funciona a Diretoria de Ensino Estadual Guarulhos Sul. Nesta Unidade Escolar, a professora Linda Maluli se aposentou do Estado em 1987.
   Também ministrou aulas na prefeitura de São Paulo mas exonerou quando passou em um concurso de docente em 1980 para o Estado.
   O método de ensino da professora tinha um pouco do pensamento de Aristóteles, com a pedagogia peripatética, pois ela relacionava as áreas de conhecimento um humano com os elementos da natureza, não tinha quadra e as brincadeiras antigas, como pular corda, amarelinha, eram inclusas. Não tinham professores de arte e a docente ficava nessa tarefa de ministrar essas aulas. Eram tempos simples, mas gloriosos, tempos de nostalgia pura. Os dias de hoje foram construídos por muitos homens e mulheres. E a docente Linda Maluli faz parte dessa história, não apenas pela sua dedicação a educação, mas para a história da escola Plínio Paulo Braga.

Reginaldo Ap. Pignatari





Disponível em:  https://www.guarulhos.sp.gov.br/sites/default/files/transversais_versoes_2.pdf, p. 123-124.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Francisco da Silva Franco nosso primeiro diretor

         
Francisco da Silva Franco na E. E. Plínio Paulo Braga


    O antigo Grupo Escolar do Bairro do Taboão, atualmente E. E. Professor Plínio Paulo Braga, entra em funcionamento em 1957 sob a liderança do Sr. Francisco da Silva Franco,  onde administrou até inícios dos anos 60. Nesta época, o professor Francisco adquirira um terreno no Parque Novo Mundo em São Paulo, no qual construíra sua casa, por esta razão, provavelmente, o fez deixar a escola. Sua filha Celina S. Franco relata que quando saiu, o mestre Francisco recebera tantos presentes da comunidade escolar que tivera de levá-los em um caminhãozinho, dentre seus presentes havia ovos que os alunos lhe deram. A comunidade da escola era muito carente, grande parte dos alunos iam à escola descalços. A fragilidade econômica era produto de um ambiente ainda rústico, rural. que prometia ser transformado com a educação daqueles jovens. Todo esse afeto fora reflexo de sua dedicação com a escola, sempre atuante e humanitário. Além de se destacar pela cordialidade com que tratava os alunos e os professores da unidade de ensino. Mesmo distante, seu laço com os parceiros da escola o Sr. José Carlos da Cunha Rocha e a Dona Maria do Carmo Silva da Cunha Rocha permaneceu vigoroso.



Primeiro diretor do Plínio Sr. Francisco da Silva Franco,  Professor Luiz Marques, Neide Cassiano, Brandina, Ditinha, (?)  e Zilda. (Entre a década de 50 a 60)

Registro de sua atuação na escola

    Ressalta-se que as filhas do Sr. Francisco também estudaram no Plínio neste período. Na imagem abaixo uma de suas filhas está entre os alunos da escola, ela está na primeira fileira, é a quarta da direita para a esquerda, a única menina com sapatinho e meias brancas.

Professora Dona Neide com seus alunos nos fundos da escola. 
Filhas do Sr. Francisco na escola Leda e Marilza.

       Dotado de muita simplicidade, o primeiro diretor do Plínio foi um homem erudito e dedicado. O ilustre ex-diretor teve uma carreira extensa na área educacional, fora diretor Grupo Escolar do Bairro do Taboão, atualmente E. E. Professor Plínio Paulo Braga, passando pelo Grupo Escolar em São Paulo, Grupo Escolar em Jundiaí, Grupo Escolar de Cillos em Santa Bárbara D' Oeste (já extinta), E. E. Profa. Maria José Margato Brocatto, ainda na mesma cidade, encerra sua jornada na década de 80 nesta última escola.


     Além de notável liderança no magistério, o Sr. Francisco brilhava intensamente no campo musical. Os familiares forneceram fotografias do acervo pessoal e diversos recortes de jornais que davam destaque à sua maestria artística. Neles, há honrarias as quais nos orgulhamos por tamanha contribuição que nosso primeiro grande mestre concedeu à sociedade.


Sr. Francisco recebendo do prefeito Erich Hetzl o título de cidadão americanense em 2004

       Francisco da Silva Franco era natural de Guareí, no interior do Estado de São Paulo, tendo nascido em 16 de novembro de 1922, veio a falecer em 02 de agosto de 2013. Filho de Joaquim Corrêa Franco e Isaura Pinheiro e Silva o Sr. Francisco; casado com Mercedes Zoppi Franco deixou filhos 6 filhos: Celina da Silva Franco, Marilza Franco Canineo, Leda Franco Zanette, Odila Franco, Roberto Franco e Ricardo Franco e 10 netos: Alexandre, Mauricio, Gustavo, Stefanyna, Florence, Pâmela, Marcelo, Neila, João Guilherme e Ana Júlia. Além de 7 bisnetos: Thais, Pedro Maria Paula e Clara (nascidos antes de seu falecimento) e outros vindos após sua partida. 


Registro da comemoração dos 80 anos do Sr. Francisco com sua família em 2002.

        Vale aqui lembrar de uma passagem da qual a nós merece total destaque, uma vez que enobrece ainda mais a biografia do nosso estimado diretor. Sr. Francisco cumpriu sua missão neste plano com alto grau de elevação humanitária. Durante seu percurso de vida suas virtudes foram constantemente lapidadas, atingindo a última etapa da vida com a mais honrada atuação conforme relata sua filha Marilza. Em 1977, sua filha Marilza Franco teve um filho que após alguns anos recebeu o diagnóstico de autismo, seu avô, já então aposentado, mesmo tendo uma vida ativa como músico indo a ensaios, a apresentações da banda e ministrando aulas reservava atenção especial e constante ao seu neto Marcelo. Essa relação afetuosa foi de fundamental importância à vida de seu neto. Hoje, ao relembrar dos momentos preciosos de seu pai com seu filho, Marilza se emociona com muitas saudades e com seu profundo agradecimento.

Marcelo, Sr. Francisco e sua bisnetaThais.

      Nosso grande mestre partiu exatamente há 5 anos, coincidentemente na mesma data desta publicação, deixando-nos muitas lembranças a serem rememoradas. Que ele receba eterna gratidão de toda comunidade escolar.
      

terça-feira, 17 de julho de 2018

Biografia do professor Plínio Paulo Braga por Antonio d'Ávila

Galeria de patronos de escolas (26)
Antonio d’Ávila
Professor Plínio Paulo Braga

       Razões do coração agradecido tocam-me a pena, ao traçar linhas singelas sobre a vida e a obra do ilustre educador, linhas que se completam com o pronunciamento do professor Sólon Borges dos Reis, que aqui reproduzimos e que ensejou a doação do seu nome a uma das nossas escolas. Razões do coração agradecido porque ingressamos por suas mãos no magistério, em 1921, numa escolinha distrital, de Irapé, no município de Xavantes. Em 1923, as mesmas mãos amigas nos levaram à diretoria das Escolas Reunidas do Espírito Santo, em Itajobi e, em 1925, ainda por elas, alcançamos o cargo de adjunto do Grupo Escolar de Mirassol, que então se instalava na opulenta cidade.
       Já então Plínio Paulo Braga era Delegado de Ensino na Região de Catanduva, tendo deixado a de Santa Cruz do Rio Pardo, para que fora escolhido na Reforma de 1920. De Mirassol, passamos para esta cidade, onde nosso amigo fora, de 1915 a 1920, um dos mais respeitados administradores escolares dessas casas de ensino e, a seguir, como vimos, Delegado de Ensino.
        Aluno brilhante da Escola Complementar de Guaratinguetá, recebeu dela seu diploma, em 1906, ingressou no ano seguinte no magistério, numa escola em Ilhabela, da qual passou para outra de São Sebastião. Na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, além de brilhante Diretor do Grupo Escolar e Delegado do Ensino, o grande educador fundou a Sociedade de São Vicente de Paulo, foi organicista da Igreja Matriz, participante de movimentos culturais e assistenciais, poeta delicado, orador fluente.
      Em 1926, coube-nos a direção do mesmo Grupo Escolar que ele instalara e dirigira, modelo de eficiência, ordem e vibração cívica. Centralizara esse Grupo o movimento escotista de toda a 15ª Região, de que Plínio foi ardoroso incentivador.
      Por ocasião do falecimento do saudoso educador, em 1958, cujo nome foi dado, ao antigo Grupo Escolar do Bairro Taboão, em Guarulhos, o prof. Sólon Borges dos Reis, Presidente do Centro do Professorado Paulista, dirigiu ao Secretário da Educação o seguinte ofício, cuja reprodução aqui completa os dados de nossas linhas:

“Ao Secretário Da Educação.

       O Centro do Professorado Paulista, fiel aos seus compromissos estatutários e aos princípios de ação de seus dirigentes, vem sugerir a Vossa Excelência as necessárias providências no sentido de que um dos estabelecimentos de ensino primário de nossa Capital receba o nome do saudoso educador Plínio Paulo Braga.
       Trata-se, como Vossa Excelência há de certamente convir, de merecida homenagem à memória de um grande mestre recentemente falecido, e cuja fecunda vida de realizações em prol do ensino paulista deve ser perpetuada no número daqueles homens dos quais o professorado justamente se orgulha.
       Ingressando no magistério na regência de estabelecimentos do litoral, galgou todos os postos da carreira, exercendo-os com inexcedível brilho e humanidade.
      Foi Delegado de Ensino na Capital e, na gestão do Dr. Antenor Romano Barreto à frente do Departamento, exerceu as funções de Assistente Geral.
        Espírito profunda e autenticamente cristão, varão reto nos atos exemplares, revelou-se sempre amigo dos colegas, não medindo sacrifícios no espontâneo desejo de auxiliar a todos que o procuravam, confiantes na sua experiência e bondade. Os serviços que prestou à causa pública no desempenho dos cargos do magistério e na dedicação às instituições particulares a que pertenceu, o recomendam à consideração perene de todos.
       Os grandes soldados tombam, mas a luta pela conquista do futuro continua. Somente, contudo, se poderá combater com entusiasmo pela boa causa, quando se voltam os nossos olhos e o nosso coração para os grandes vultos do magistério paulista. Plínio Paulo Braga foi grande soldado e seu nome jamais será olvidado pelos mestres e alunos das gerações vindouras.
       Agradecemos a Vossa Excelência a escolhida que puder dispensar ao nosso pedido, reitero-lhe a certeza de nosso apreço e estima pessoal.

Sólon Borges dos Reis”

Galeria de patronos de escolas (26): Professor Plínio Paulo Braga. Jornal dos Professores, São Paulo, p. 7, nov. 1983. 

*(edição restrita ao arquivo do CPP a nós oferecida pelo Raul Laguna  da redação JP)

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Diretor Elio Giunzioni

Vidas para recordar
     Elio Giunzioni fora um dos primeiros diretores da escola Plínio Paulo Braga. Nascera no dia 06 de novembro de 1927 na cidade de Casa Branca, município do interior de SP, conhecida como a capital da jabuticaba, indo a falecer na cidade de São Paulo no dia 31 de maio de 2001. No mesmo ano que principia o gestor da escola, viera ao mundo um dos mais influentes escritores brasileiros, Ariano Vilar Suassuna. O mestre Elio tornou-se uma grande personalidade à comunidade escolar assim como aos moradores do Taboão, reafirmando a força que esta era teve à sociedade.
       Nosso ex-diretor cursou magistério na década de 50 na Escola Normal de Casa Branca, instituição de ensino fundada em 1912. Logo após se formar, o Sr. Elio foi exercer o magistério na região de Guaraciaba (PR), local onde ele conhece Maria de Souza Prado natural de Morro Agudo, região Metropolitana de Ribeirão Preto (SP). Tempos depois eles firmam o compromisso de união matrimonial. Ambos lecionavam neste período numa colônia japonesa na mesma localidade.
      Nesta colônia, Maria de Souza Prado Giunzioni engravida, no entanto, devido às condições precárias do lugar,  ela acaba perdendo o bebê recém-nascido.Tempos mais tarde, ela engravida novamente, assim eles decidem deixar a colônia japonesa. 
     Regressem a São Paulo no município de Barretos onde permaneceram cerca de uma década. Nesta cidade, a Sra. Maria Giunzioni era funcionária da escola Fausto Lex e o Sr. Elio administrava uma escola num município próximo, Jaborandi.
      Em meados da década de 60, transferiram-se para Guarulhos, lugar onde o Sr. Elio exerce a função de diretor da escola E. E. Prof. Plínio Paulo Braga, sua esposa também trabalhava nessa unidade de ensino como assistente administrativa. Nesta escola permaneceram até a aposentadoria.
       Seu filho Fábio Prado Giunzioni estudou no Plínio nos anos de 1968 a 1971, deixando-nos seu depoimento: “Recordo-me muito bem das Professoras Adélia Doi Toba, Irene, Ofélia e muitos outros excelentes professores. Na minha época tínhamos festa junina, provas mimeografadas e o grande respeito e solidariedade que havia entre os professores, alunos e funcionários. Quando cheguei no primeiro dia ao colégio, estavam asfaltando a avenida Otávio Braga de Mesquita que terminava na praça 8 de dezembro. Em frente ao Colégio havia um mercadinho o qual os alunos compravam quitutes, salgadinhos na hora do intervalo. ”
   Em relatos de ex-alunos colhidos para a montagem do Memorial da escola, foi mencionado que Elio gostava que os estudantes estivessem sempre bem uniformizados, ele era conhecido por ser um homem que impunha respeito, sem ser autoritário, um grande exemplo àquela juventude. Há muitos relatos nostálgicos da época, momentos que serão lembrados por toda vida. 
     Anos mais tarde, o Sr. Elio é acometido por um câncer, a união do casal quase completa 50 anos quando o Sr. Elio Giunzioni falece em 31 de maio de 2001. Oito anos após sua partida, a Sra. Maria de Souza Prado Giunzioni vem a falecer em decorrência de problemas circulatórios aos 88 anos. Ela fora diagnosticada com Alzheimer, porém ainda mantinha o hábito de ler o jornal todos os dias em voz alta no seio familiar, não necessitando de óculos para tal. 
     Ambos partiram, porém permanecendo uma vigorosa trajetória de vida, deixaram imensa saudades nos corações de seus dois filhos Fabio Prado Giunzioni e Eduardo Prado Giunzioni (falecido em 2017), de seus dois netos Helena Truppa Giunzioni e Guilherme Truppa Giunzioni, da família, dos amigos e de todos que puderam ter a honra de conviver com eles na nossa escola. 

Fotos do arquivo da família Giunzioni

O diretor Elio, Sra.. Maria Giunzioni , Profa. Elaine , de vestido Profa. Ofélia, Profa. Nadir, Profa. Adélia e Prof. Toninha Zappa



Diretor Élio, Maria Giunzioni, Toninha Zappa, Fitinha, Francisca, Brandina, Antônia, (?) e Tina.








Agradecemos especialmente a neta do Sr. Elio Giunzioni, Helena Truppa Giunzioni, pela prestatividade e pela intermediação conosco a seu pai Fabio Prado Giunzioni. Os dois deram toda base desta biografia com a cronologia de vida do Sr.Elio e sua esposa Maria, além de disponibilizar suas fotografias do álbum da família.

Por Julia Adeilda e Daniela Santos 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Silvestre Pires de Freitas

Tecendo os fios da história

Silvestre Pires de Freitas com sua família e ao fundo a escola
A comunidade escolar da E.E.Prof. Plínio Paulo Braga tem uma dívida história com o precursor da formação educacional no bairro Taboão, o Sr. Silvestre Pires de Freitas, este grande homem proporcionou à população da década de 30 a educação formal. Um bairro embrionário, ainda em fase de desenvolvimento econômico e social, na sua fase rústica. Silvestre Pires abriu caminho para o progresso quando oferece uma parte de suas terras para a construção de um barração que passaria a funcionar como escola rural. À frente do seu tempo, escreveu uma grande história e quem passa pela escola tece ainda mais este fio que ele iniciou, gerando um tecido gradativamente mais expressivo.


"QUEM FOI SYLVESTRE PIRES DE FREITAS?

Sylvestre Pires de Freitas nasceu em 31 de dezembro de 1891, no bairro dos Marmelos em Guarulhos. Foi casado com Maria de Siqueira Bueno, com quem teve 5 filhos. Por volta de 1931, estabeleceu-se no Taboão, na época a região era denominada como zona rural , com formações de sítios, chácaras e uma pequena população. Foi proprietário de uma Olaria no bairro dos Veigas e próximo da Praça 8 (bem de frente da escola do Plínio) possuía um armazém que atendia as necessidades dos moradores da região. 

Não havendo escola próxima que pudesse atender as crianças, disponibilizou um espaço em sua propriedade que veio dar início a Escola Rural do Taboão.

Sempre teve princípios éticos, trabalhando com honestidade, valorizando a família e religião, procurava sempre ajudar a comunidade do bairro.
Faleceu em 1974, para preservar sua memória, hoje a principal via que liga a Praça 8 de Dezembro até o bairro Tanque Grande denomina seu nome: Av. Silvestre Pires de Freitas." relata a Professora Maria Júlia, neta do Sr. Silvestre Pires de Freitas ao Jurandir, autor da Página Taboão em Foco. Ambos são as principais fontes do Blog.

sábado, 30 de junho de 2018

Sobre o Patrono

1958: uma mudança para ficar na memória

Por Julia Adeilda, aluna do 9E, turma de 2018. 



    A instigante história da E. E. Professor Plínio Paulo Braga começa em 1958 quando Sólon Borges dos Reis resolve prestar uma homenagem ao já falecido Plínio Paulo Braga. É importante ressaltar que o professor Plínio, ao contrário do que muitos pensam, nunca foi professor desta escola. O atual patrono teve sua trajetória em diversas escolas fora do município de Guarulhos, não interferindo na imagem que ele representa enquanto professor.
    Nascido no final do século XIX no município de Guaratinguetá, São Paulo, região do Vale do Paraíba, sede de microrregião, uma das subsedes da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte e um dos polos sub-regionais do Brasil litorânea de São Paulo. Filho de Zulmira Braga e Francisco Ignácio Braga. Conforme a historiadora e também ex-professora da escola, Marcelle Marques de Andrade, traça biografia do mestre Plínio relatando que ele se formou como professor na Escola Complementar de Guaratinguetá em 1906, iniciando sua carreira no magistério no ano subsequente em Ilhabela seguindo suas atividades como professor no litoral. Em 1915 foi convidado para ser o diretor da primeira escola estadual em Santa Cruz do Rio Pardo. Cinco anos após sua experiência profissional como diretor do Grupo Escolar de Santa Cruz do Rio Pardo foi nomeado o delegado de ensino em Catanduva e anos mais tarde exerce o cargo de Delegado de Ensino na capital paulista. Marcelle Marques de Andrade, destaca que além de muito dedicado a profissão Plínio era muito religioso, realizava trabalhos assistenciais ao lado de sua esposa dona Primitiva de Oliveira Braga, professora assim como ele. Plínio era um homem atuante naquele período histórico para a sociedade e com currículo profissional extenso. Deixa seu legado em 1958 quando vem a falecer.
    A misteriosa memória do professor Plínio não se acaba no fato dele nunca ter feito parte diretamente do processo histórico da escola. O material de sua biografia no acervo virtual é insuficiente, ou seja, apesar de Sólon Borges dos Reis o ter escolhido como homenageado não há informações concretas sobre sua trajetória de vida e profissional de forma diversificada, exemplo disso é a indeterminação da data de seu nascimento.
Segundo a análise de Thabatha Aline Trevisan em “Um estudo sobre os textos biográficos da “Galeria dos patronos de escolas” por Antônio D’Ávila (1980-1989)”, aborda os critérios usados para selecionar os patronos das escolas públicas . O parâmetro empregado em geral era de que o professor tinha de ser um modelo ideal a ser seguido, como se pode perceber nas palavras ditas pelo Antônio D’Ávila. “(...) para oferecer a juventude de hoje um modelo ímpar de dedicação absoluta ao estudo, de quem busca na exação de seus trabalhos escolares os fundamentos de vida dedicado à ciência e ao bem-estar do homem”. Thabatha Trevisan completa essas afirmações de D’Ávila com a crítica de que os biografados tinham a função de promover aos docentes “exemplos e estímulos a sua prática cotidiana escolar e como modelo a ser imitado pelos professores que, seguindo-os, esquecem-se da situação real de seu fazeres pedagógicos e de sua baixa remuneração, trabalhando em função de uma “missão divina “, de uma recompensa que “cairá do céu” e de uma forma possível de reconhecimento. 
    D’Ávila também contava com o Editor-Chefe do jornal, Sólon Borges dos Reis que era o responsável por escolher e encaminhar ao gabinete por ofícios as relações de professores considerados adequados ou exemplares para serem homenageados como patronos seguindo critérios como tempo de serviço prestado ao serviço público, os atributos morais, cívicos, religiosos e até mesmo aqueles que atingiram altos postos na administração pública. Sólon naquela época era presidente do Centro do Professorado Paulista o que facilitava a nomeação dos patronos. Quando Plínio veio a falecer em 1958 Sólon lhe prestou uma homenagem colocando seu nome no antigo Grupo Escolar do Taboão, que    passa a ser chamado E. E. Professor Plínio Paulo Braga.
   Coincidentemente nesse mesmo ano ficou conhecido como o “ano em que tudo deu certo” pelo jornalista Joaquim Ferreira, pois para ele, o país, anterior a essa data, passava pela angústia da transformação do Brasil rural para o país da modernidade. 1958 trouxe para o brasileiro episódios marcantes como o Brasil ser campeão da Copa pela primeira vez, João Gilberto lançou Chega de Saudades, o disco fundador da bossa nova. Nelson Pereira dos Santos inaugurou o Novo Cinema com seu primeiro filme Rio Zona Norte. O Brasil começava a fase da industrialização, deixando a era rural para trás na esperança do progresso. 
    Levando em consideração os aspectos observados sobre o professor Plínio Paulo Braga, compreende-se os motivos dele ter sido homenageado patrono da escola e que apesar deste grande mestre não ter participado diretamente da rotina da escola, ele nos deixou um grande legado: seu nome, e com ele sua importância. Sendo essencial que os alunos conheçam sua trajetória, não só para resgatar sua memória, mas também a fim de que as gerações futuras possam reconhecer na sua imagem a identidade da escola.


Para saber mais!

Pouco se sabe do patrono, sua cidade natal é Guaratinguetá, provavelmente o acervo sobre sua vida encontra-se nesta cidade.


 Coletamos alguns dados sobre o professor Plínio Paulo Braga:

  •  Documento de sua biografia (base): 

1. Galeria de patronos de escolas (26): Professor Plínio Paulo Braga. Jornal dos Professores, São Paulo, p. 7, nov. 1983.


2.  Pesquisa da professora Marcelle Marques de Andrade: http://aapah.org.br/2018/02/08/professor-plinio-paulo-braga/

3. 1958: uma mudança para ficar na memória. Por Julia Adeilda em http://jornalvirtualagora.blogspot.com/2018/06/1958-uma-mudanca-para-ficar-na-memoria.html

4. Thabatha Aline Trevisan em “Um estudo sobre os textos biográficos da “Galeria dos patronos de escolas” por Antônio D’Ávila (1980-1989)” em http://www.sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe4/individuais-coautorais/eixo02/Thabatha%20Aline%20Trevisan%20-%20Texto.pdf

  • Obra Publicada do Plínio:

BRAGA, Plínio Paulo. Programa Escolar Aritmética e Geometria. Rio de Janeiro. Francisco Alves, 1951.