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domingo, 30 de setembro de 2018

Primeiro mimeógrafo da escola

Professora Linda Maluli relata à Rosa Chimoni em sua obra Transversais Versões, vol. 2, a passagem pelo Plínio na década de 1960.  É com muita satisfação que acrescentamos o trecho desta valiosa história, para juntos, rememorarmos essa época tão especial.


"Em 13 de julho de 1962 ingressei no Magistério Público do Estado de São Paulo por pontos.  Principalmente pelos obtidos na alfabetização de adultos. Minha primeira escola nesta fase efetiva foi o Grupo Escolar Plínio Paulo Braga no Taboão que era considerado zona rural. Hoje ali é bairro bastante desenvolvido e populoso. O antigo grupo escolar é a E. E. Plínio Paulo Braga.
Na época a Avenida Otávio Braga de Mesquita que conduzia ao Taboão não tinha asfalto.  Quando chovia descíamos do ônibus e percorríamos a pé a ladeira de 2 km. O ônibus não podia descer... Eu amava a escola e os alunos. Exerci a profissão plenamente.  Tive um aluno convulsivo e quando começava a crise eu o levava para fora da classe. Ele ficava deitado no chão e eu lhe segurava as pernas com as minhas. Muitas vezes vinha outra professora que segurava seu rosto para que não se machucasse. O restante da classe continuava as lições normalmente. Naquele tempo era assim: respeito.
O computador e a impressora nessa época eram o mimeógrafo e não tínhamos na escola. O mimeógrafo era um aparelho pesado e retangular que possuía 2 rolos de feltro e uma almofada que deveria ser embebida no álcool. A matriz era colocada num dos rolos com o texto ou desenho preso ao contrário. No outro rolo o papel sulfite se encaixava. Entre eles se girava a manivela e o texto ou desenho saía impresso do outro lado no sulfite em preto e branco. Na verdade azul ou roxo dependendo do estêncil usado. Era um trabalhão mas era o máximo de tecnologia existente.
Conversei com o diretor professor José Carlos. Pedi para fazermos o dia da pipoca e assim arrecadaríamos dinheiro para comprar um mimeógrafo. Ele achava que não daria certo.
O bairro era muito pobre e as crianças não teriam dinheiro. Depois de muita insistência consegui autorização. Divulguei e fiz propaganda. Falava a toda hora do dia da pipoca. Mesmo aquela região sendo muito carente vendemos pipoca o dia inteiro. No final do dia conseguimos a quantia necessária para a compra desejada. O primeiro mimeógrafo do Plínio Paulo Braga."

Na foto: Professores (as) Edson, Margarida, Darci,  Ditinha, Joana, Linda Maluli e o diretor Jose Carlos.
Transversais Versões 2, página 118.

Biografia da docente Linda Maluli

    Filha de libaneses imigrantes, nascida dia 17 de agosto de 1940, na cidade de Tupã, interior de São Paulo. Iniciou os estudos na cidade Flórida Paulista, frequentando a Escola Estadual Flórida Paulista. Em 15 de novembro de 1950, a família se muda para Guarulhos, bairro na época precário.  Retornou os estudos na cidade, no grupo escolar de Gopouva que só possuía a terceira série, transferindo-se depois para o Capistrano de Abreu.
    Depois, através de um exame de admissão, estuda no Ginásio Estadual de Guarulhos que funcionava à noite no mesmo prédio do Capistrano. Na época, só existia esse ginásio e não existia diurno. Concluindo a quarta série colegial, e como não tinha escola que desse continuidade, estudou no Instituto Feminino de Educação Padre de Anchieta no Pari, São Paulo em 1957. Nesse mesmo ano começa a ministrar aulas no curso de alfabetização de adultos, fazendo parte do quadro voluntário do Grupo Escolar de Gopouva, onde já estudava.
    Se forma em 1959 como professora. Antes de efetivar, ministrou aulas na Escola Mista do Jardim Santa Bárbara e era professora-aluna em 1956. Escola Mista do Lar Santo Antônio hoje Colégio Virgo Potens em 1961 e no ano seguinte na Escola Mista Santa Catarina até julho.
   Em 1962 se efetiva no Grupo Escolar Plínio Paulo Braga, removendo-se no ano de 1969 para o Grupo Escolar Capistrano de Abreu. Em 1971 é designada a assumir um cargo para responder pela direção do 3º Ginásio Estadual de Guarulhos que funcionava à noite no mesmo prédio do Grupo Escolar da Vila Flórida.
  Efetivou de 1963 a 1965 no Sesi, exonerando em seguida para cursar Pedagogia em São José dos Campos.
  Por volta de 1971 ou 1972, muda-se para a EEPG de Gopouva. Após uma nova reforma educacional tornou-se simplesmente E. E.  Annita Saraceni. Hoje está extinta e em seu prédio funciona a Diretoria de Ensino Estadual Guarulhos Sul. Nesta Unidade Escolar, a professora Linda Maluli se aposentou do Estado em 1987.
   Também ministrou aulas na prefeitura de São Paulo mas exonerou quando passou em um concurso de docente em 1980 para o Estado.
   O método de ensino da professora tinha um pouco do pensamento de Aristóteles, com a pedagogia peripatética, pois ela relacionava as áreas de conhecimento um humano com os elementos da natureza, não tinha quadra e as brincadeiras antigas, como pular corda, amarelinha, eram inclusas. Não tinham professores de arte e a docente ficava nessa tarefa de ministrar essas aulas. Eram tempos simples, mas gloriosos, tempos de nostalgia pura. Os dias de hoje foram construídos por muitos homens e mulheres. E a docente Linda Maluli faz parte dessa história, não apenas pela sua dedicação a educação, mas para a história da escola Plínio Paulo Braga.

Reginaldo Ap. Pignatari





Disponível em:  https://www.guarulhos.sp.gov.br/sites/default/files/transversais_versoes_2.pdf, p. 123-124.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

E. E. Prof. Plínio Paulo Braga: anseios e arquitetura

Grupo Escolar do Bairro do Taboão fora fundado em meados da década de 1950, época em que o país tinha como pauta uma das discussões mais importantes no âmbito educacional. A Constituição de 1946 previa que a União legislaria sobre as diretrizes e bases da educação nacional. Por esta razão, fazia-se necessária a mudança no sistema de ensino. O Governo Federal prevendo essa necessidade organizou uma comissão notáveis a fim de que, após estudos e apontamentos,  apresentasse em conjunto uma reforma geral da educação cujo objetivo era encontrar a solução adequada àquela situação em que o país se encontrava. O produto desse debate gerou um projeto de lei o qual fora apresentado à Câmara Federal em 1948, sendo objeto de disputa política por dois grupos ideológicos divergentes. Após longos embates políticos, o projeto resultou na Lei da Diretrizes e Bases (Lei 4.024) promulgada em dezembro de 1961.

É neste cenário que a escola é fundada, os princípios da educação enfim visavam abranger os interesses da classe operária. A escola aberta para a atender a demanda de uma população em crescimento acelerado, rompendo a barreira da educação restritiva. Em Guarulhos, a população crescia a passos largos devido ao processo de industrialização e da expansão do comércio, fatores preponderantes para o salto socioeconômico da cidade. Em 1920 o município apresentava índice de 5.961 moradores, número freneticamente ampliado na década de 50 que passa a ter 34.683, chegando a 100.760 nos anos 60. Números cada vez maiores no decorrer dos tempos, hoje a população guarulhense está na casa de 1.221.979, de acordo com o censo do IBGE.

Pode-se imaginar que a educação em 1920 no município era deficitária uma vez que até o ano de 1918 o distrito possuía apenas 2 no centro da cidade, Escola Mista do Bom Sucesso, Mista da Ponte Grande, Mista da Baquirivu, noturna Mista da Vila Galvão e a Mista da Vila Augusta. Eram 7 escolas para atender a demanda de quase 5 mil guarulhenses. Todavia, quatro décadas depois, passara a ser de caráter emergencial, afinal a população crescera de maneira exponencial. Neste ínterim, são inauguradas aproximadamente mais 26 escolas, no entanto, algumas delas deixaram de funcionar, sendo alocadas para outros centros, tal qual a primeira escola do bairro do Taboão, Escola Municipal Mista do Taboão. As escolas tinham características diversas, a Mista do Taboão contava apenas com a lotação de 1 professor, assim como a Escola Mista Municipal do Gopoúva. O ensino primário oferecido nestes períodos funcionava durante dois turnos: dia e noite. A  7ª Escola Mista (masculina e feminina), com sede no bairro Fortaleza, fora a 1ª Escola Masculina Rural pela Lei n° 61 de 01-09-1949. É relevante abordar que no início dos anos 40, o município contava com apenas 22 professores.

Em novembro de 1956 o Grupo Escolar do Bairro do Taboão é inaugurado. A linguagem arquitetônica conferia ao prédio muita simplicidade. Sua estrutura física assemelhava-se à uma casa, com muros baixos, limitada de apenas duas salas de aula - atualmente funcionam a secretaria e sala dos professores, construída de alvenaria com acabamento rústico, não possuía alas, tampouco ambientes para atividades complementares como anfiteatro e laboratório de ciências e inexistia quadra esportiva. Era, sem dúvida, destoante daqueles edifícios monumentais dos primeiros Grupos Escolares da sociedade letrada do final do século XIX dos centros urbanos cujos padrões estéticos sobressaiam "de fachada grandiosa, hall de entrada primoroso, escadarias, duas alas, uma para meninos, outra para meninas, eixo simétrico, pátio interno, acabamento com materiais nobres, portas com bandeiras, janelas verticais grandes e pesadas (...)", como descrevem Ester Buffa e Gelson Almeida Pinto  em Arquitetura e Educação: Organização do  Espaço e Propostas Pedagógicas Dos Grupos Escolares Paulistas, 1893/1971, p. 18. 


Escola na época de sua fundação

A escola, de forma paliativa, para atender a demanda nos anos subsequentes a sua fundação que fora até a década de 70, utilizava espaços externos como extensão. Um deles é a Escola Mista do Bairro do Taboão, escola desativada no início dos anos 50. Neste local, era montada classes adicionais.


Não esquecendo da quadra que até meados de 70 não existia, os alunos tinham de praticar atividades físicas fora da escola. Iam inicialmente num terreno baldio na lateral direita da escola do outro lado da rua - onde hoje é o estacionamento de um mercado. "Isso mesmo na área do estacionamento do mercado, era um limpão de terra vermelha que ficava bem de frente com a cerâmica que existia bem no prédio do mercado.", relata o ex-aluno Jurandir.


Além deste espaço, o diretor alugou uma quadra nas cercanias da escola. Dona Josefa Adão, 82 anos, proprietária do terreno na época, em entrevista recente, diz que que certo dia uma mulher fora à sua casa solicitando que ela alugasse a quadra para a prática esportiva dos alunos da escola. Ela não se lembra ao certo quem era a pessoa nem o cargo que ela exercia na escola. Disse que o contrato entre as partes para uso do espaço foi de boca, nunca formalizaram o aluguel da quadra. O valor cobrado era uma bagatela de 2 ou 3 Cruzeiros, estando mais para um valor simbólico do que um negócio lucrativo. Tanto é que o uso do espaço não passou de 1 ano. Ela não era na época moradora do bairro, trabalhava e residia em São Paulo, no Brás, não teve contato com os alunos que usavam a quadra naquele tempo. Ademais, Terezinha do Prado, sobrinha da Dona Josefa, fora quem indicou o espaço para a professora de educação física Diva (japonesa). Esta quem procurou dona Josefa para o aluguel da quadra. A quadra era de cimento, diferente do "limpão" ao lado da escola no qual os alunos com os uniformes brancos saiam depois da aula todos sujos de barro. Terezinha relembra os nomes dos colegas de classe que utilizaram o espaço de sua tia que inclusive ela, o Jurandir, o professor José Carlos e outros. 


Atividade física no terreno baldio.



Atrás do casal a quadra que a escola alugava. 

(Imagem do arquivo pessoal da Terezinha do Prado)



O ideário da Escola Nova, presente nos anos 50 e 60, pressupunha uma edificação escolar voltada a contemplação dos anseios das propostas pedagógicas dessa era em que prezava-se não somente a alfabetização, mas também que a criança fosse formada em seus hábitos e atitudes, cultivando aspirações e preparando-as para uma civilização técnica e industrial em constante transformação. A escola, sofrendo essa influência de preceitos pedagógicos de escola para todos e formação cidadã, do mesmo modo carrega consigo de fato a arquitetura moderna dentro dos moldes escolanovistas, em que a simplicidade se sobrepõe ao ornamentalismo, ambiente econômico e útil oposta à escola-monumento elitizada. A discordância destas ideias da Escola Nova e da atuação do Convênio na construção das escolas dessas duas décadas é que para constituir este ambiente escolar, os projetistas criaram uma escola demasiadamente minimalista, nessa construção apenas 2 salas de aula foram feitas, a integração das crianças era numa vegetação de cerrado sem jardim, nada amigável aos estudantes que por vezes também praticavam atividade física em terreno de terra batida.

Por fim, o antigo Grupo Escolar do Bairro do Taboão, atual E. E. Professor Plínio Braga, trouxe à cidade de Guarulhos desde sua formação a contribuição de escolarizar milhares de alunos meio a tantos outros projetos de ensino discutidos e vigorados durante seu percurso até o momento. Está, desde o começo, tentando tornar a escola ambiente acessível a toda população local que nela buscou evoluir através dos tempos. Com prédio ampliado: novas alas com mais salas de aula, sala de leitura, laboratório de informática, sala de vídeo, quadra coberta; recursos como merenda gratuita, material de aprendizagem gratuito e tantos outros benefícios são destaques deste tempo. Contemporaneamente, a escola almeja que o espaço seja propício à formação integral dos estudantes e que, realmente, o alunado encontre na escola acesso e permanência para seu desenvolvimento pessoal, profissional e cidadão.



Série "Tecendo os Fios da História: Narrativas Orais".
Memorial Professor Plínio Paulo Braga
Entrevistada: Terezinha do Prado
Data: 29/09/18
Sobre a E. E. Professor Plínio Paulo Braga
Assunto especifico: Arrecadação para o pagamento da quadra alugada na década de 1970 para atividades de educação física.



Série "Tecendo os Fios da História: Narrativas Orais".
Memorial Professor Plínio Paulo Braga
Entrevistada: Terezinha do Prado
Data: 29/09/18
Sobre a E. E. Professor Plínio Paulo Braga
Assunto especifico: sala externa à escola, local próximo ao Corpo de Bombeiros.


Referência bibliográfica:

THEODORO, Janice.  A construção da cidadania e da escola nas décadas de 1950 e 1960. Disponível em: < http://historia.fflch.usp.br/sites/historia.fflch.usp.br/files/texto_escolas_paulistas.pdf>. Acesso em 24 set 2018.

RANALI, João. Cronologia Guarulhense, 1º Volume.

Secretaria da Educação Municipal. Conferência Municipal de Educação. Construindo o Plano Municipal de Educação: Guarulhos 2012 - 2022. Disponível em: <https://www.guarulhos.sp.gov.br/sites/default/files/documento-base_hotsite2.pdf>. Acesso em 24 set de 2018.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.  Índice populacional de Guarulhos. Disponível em: <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sp/guarulhos/panorama.> Acesso em 24 set 2018.






sábado, 30 de junho de 2018

Linha do tempo dos diretores da escola



Francisco Silva Franco - no final da década de 50 a 60
*
Elio Giaunzioni  - entre a década de 60 a 80
*
Neurides Migliavacca Barbosa - na década de 80
*
Judite Ferrato Bertocci - na década de 90
*
Roseli Pereira Paneque Sanches - na década de 90 a 2016
*
Lídia Miralles Piqueras - na década de 90 a 2013.
*
Vilma Claro dos Santos - de 2014 a 2017
*
Eduardo Coelho 2018


A história da E. E. Prof. Plínio Paulo Braga

A escola tem história

Por Daniela Santos

          A tradição oral se faz muito presente neste resgate histórico da escola. É de relato em relato que o emaranhado do fio desta narrativa se materializa. Quem nunca ouviu a expressão popular “já perdi o fio dessa história”? No caso da E. E. Prof. Plínio Paulo Braga esse fio já estava sendo consumido pelo tempo. Rememorar os acontecimentos dos momentos idos e trazê-los à tona é o meio de fortalecer o elo entre nós aos antepassados, além de proporcionar à geração atual inspiração para perpetuar essa prática a seus descendentes, formando continuamente essa trama.
        Tudo começa em 26 de junho de 1938 quando fora aprovada a criação da Escola Municipal Mista do Taboão, no dia 02 de janeiro de 1939 ela se concretiza, atendendo aos moldes de educação mista. No ano de 1943 acontece uma reorganização do ensino municipal, ficando 2 escolas primárias noturnas e 4 escolas primárias rurais sendo uma no distrito do Taboão. Após quatro anos, a rede se expande, passando a ter 6 escolas: 1 Escola Noturna na sede, 1 Escola Mista Rural da Vila Rio de Janeiro, 1 Escola Mista Rural do Taboão, 1 Escola Mista Rural do Cabuçu, 1 Escola Mista Rural de Cumbica e 1 Escola Mista Rural de Bonsucesso. Em 27 de maio de 1950, por contarem menos de 30 alunos matriculados, a escola que funcionava no Taboão fora transferida para o Bairro dos Alves cumprindo a Lei n. 96, de acordo com o livro Cronologia Guarulhense, de João Ranali.
         Ressalta-se que em meados do século XX, as escolas eram rurais. Funcionavam, por vezes, de forma improvisada em construções oferecidas pela sociedade civil e até mesmo pelas instituições religiosas. Quase ao lado do que hoje conhecemos como Mercado Dia, era mantida a Escola Municipal Mista do Taboão até a data de sua desativação em 1950. O terreno do grupo escolar no qual atendia a comunidade local e circunvizinha era do Sr. Silvestre Pires de Freitas, um dos comerciantes pioneiros do bairro. Ele sensibilizado com o crescimento da população distrital e esta sem os recursos necessários para sua evolução, fornece à comunidade parte do terreno que ele possuía ao lado do seu armazém para a construção da escola a qual, a partir de então, entraria em atividade com apenas 1 sala de aula.
       O primeiro estabelecimento de ensino da antiga Rua Santa Isabel, atual Otávio Braga de Mesquita, como pode-se perceber, é datado do final da década de 30 estando na competência da Prefeitura Municipal. No final de 1951 a Prefeitura inicia o processo de desapropriação de terrenos no Taboão e no Bonsucesso para a construção de Grupos Escolares. Em 1956, atendendo a política de expansão da rede pública de ensino, promessa de progresso naquele período histórico, torna-se de alçada do Estado a construção do Grupo Escolar denominado Grupo Escolar do Bairro do Taboão no lote desapropriado, a data oficial de sua fundação pela Secretaria de Educação de São Paulo, apoiada no Decreto 19.698 D.O, é de 21/11/56. Com arquitetura modesta, distante das estruturas das escolas públicas elitizadas, o recém inaugurado Grupo Escolar do Bairro do Taboão dá início ao ano letivo no ano subsequente a sua origem.  Estava à frente desse trabalho o Sr. Francisco Silva Franco. O público da escola localizava-se principalmente no bairro do Taboão, no Jardim Paraíso e no Jardim Marilena e em outros bairros periféricos de Guarulhos.
      Dois anos após o ato de sua criação, a escola passa a receber o nome Prof. Plínio Paulo Braga em homenagem póstuma ao professor de outra região de São Paulo por meio do decreto 31.564, de março de 1958. Prática comum nas escolas, de acordo com dados da Secretaria da Educação, das 5 mil escolas da rede, 2.587 unidades de ensino têm nome de educadores, sendo 1.779 de professores e 805 de professoras até o ano de 2016. "Preservar a história e homenagear aqueles que contribuíram de forma positiva para a educação ou com grandes exemplos para o mundo também é missão da rede estadual paulista. Como forma de valorizar essas personalidades, cada unidade escolar tem o seu patrono, como professores, educadores, compositores, poetas, entre outros, que permanecem vivos na memória de cada um." Ideia presente no site oficial da SEE.
       Há de se frisar que neste ínterim,  Carlos Cunha Rocha, professor padrão do Plínio, substituía o Sr. Francisco sempre que fosse necessário. Outro dado importante relatado pela ex-aluna Maria Júlia desta década, neta do Sr. Silvestre Pires de Freitas, era de que onde hoje é o pátio da escola, tinha um poço. Ela forneceu fotografias, a imagem será disponibilizada no acervo do Blog. Ademais, juntamente com a  E. E. G. P Plínio Paulo Braga, são inauguradas em 1957 a E. E. P. G. José Scaramelli a E.E.P.G. Ennio Chiesa.
        Entre a década de 50 a início da década de 70 a construção da antiga escola rural localizada onde hoje é o estacionamento do supermercado Dia, ainda era utilizada como extensão da E. E. Prof. Plínio Paulo Braga cuja sede ficava na esquina da Octavio Braga de Mesquita, n. 4674. O barracão fora aos poucos sendo demolido cedendo lugar a um novo comércio naquela área. A escola passa a funcionar após sua demolição em apenas uma localidade. Ela na época atendia moradores guarulhenses e  filhos de imigrantes.
        No início dos anos 70 com a chegada da modernização, bairro a todo vapor com a vinda de novas indústrias bem como a ampliação da iluminação pública, a Octavio Braga de Mesquita recebendo sua primeira pavimentação e a melhoria nos canais de telefonia. O professor Elio Giunzioni assume a direção da escola. Neste período, o prédio funcionava com apenas duas salas de aula e a extensão do outro lado da rua, em meados de 70 a escola é ampliada com novas alas. O Sr. Elio permanece ativo até a data de sua aposentadoria em 17 de novembro de 1984. Neurides Migliavacca Barbosa, sua assistente de direção, é, a contar dessa data, designada temporariamente neste cargo.
        Judite Ferrato Bertocci toma a liderança da escola na década de 80 a 90, tendo como Assistente de Escola a professora Roseli Pereira Paneque Sanches. Roseli chegou a conviver na escola com o Sr. Elio até a chegada de sua aposentadoria. Ela iniciou sua carreira profissional no Plínio em 1981 como professora do ensino primário e no ensino ginasial em 1986.  Lídia Miralles Piqueras é nomeada diretora efetiva em 20 de outubro de 1988, mantendo a Roseli como vice-diretora. Dona Lídia se aposenta em 20 de novembro de 2013 e a professora Roseli em 2016.
        Salienta-se que antes de 1999 o estabelecimento de ensino Prof. Plínio Paulo Braga pertencia a Primeira Delegacia de Ensino de Guarulhos. A Reestruturação pautada no Decreto 43948/99 | Decreto nº 43.948, de 9 de abril de 1999, no governo de Mário Covas, instituiu a alteração da denominação e a reorganização das Delegacias de Ensino.  A Primeira Delegacia de Ensino de Guarulhos é desmembrada em duas partes, tornando-se o que atualmente conhecemos por Diretoria de Ensino Guarulhos Sul e Diretoria Guarulhos Norte. Após essa modificação, a escola Plínio passa a ser da jurisdição da Diretoria Guarulhos Norte. Todos os documentos desta instituição são transferidos para a nova Diretoria.
         Vilma Claro dos Santos, professora do Ensino Fundamental I da escola desde 06 de maio de 2008, é designada a ocupar a função de diretor na ausência de um efetivo em 2013,  permanecendo até a convocação dos novos diretores do concurso de 2017. Sendo cessada em 16 de janeiro de 2018.
       No ano de 2012, a escola oferecia ensino nos três turnos, Fundamental I, Fundamental II e EJA. Em 2014, das 12 salas de aula do Plinio, 2 da ala da quadra foram desativadas para funções complementares: 1 para locação da Sala de Informática (Acessa) e a outra para Sala de Leitura.
         Implantada na escola desde 2003, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) deixa de ser ofertada à comunidade em 2016. Nesta época, a E.E. Plínio Paulo Braga era uma das 11 de um total de 86 escolas que atendia a demanda da rede estadual no município,  isto é, fazia parte dos 12,8% da totalidade da rede em Guarulhos e naquele ano encerra o acesso à educação formal àqueles que não tiveram condições de permanência na educação na idade própria. Foi uma das maiores perdas que a comunidade sofreu desde sua fundação. 
      Após saída da Sra. Vilma, Eduardo Coelho assume a direção da escola onde permaneceu até a chegada da nova diretora efetiva em julho de 2018. Sua estadia foi breve, todavia nos foi muito importante, ele contribuiu intensamente com a democratização das informações, além de apoiar este e outros projetos desenvolvidos na escola. 
        Em 24 de julho de 2018, Ana Paula Mendes Perejaslov Guedes deixa de exercer suas funções como gestora da E.E. Haroldo Veloso Brigadeiro, passando sua sede para a E. E. Prof. Plínio Paulo Braga.
         Atualmente a instituição conta com 19 salas de aula do sexto ao nono ano do Ensino Fundamental II, funcionando em dois períodos: manhã e tarde. Conforme uma pesquisa realizada na escola 35,3% dos 221 alunos entrevistados do período da tarde residem no bairro Jardim Marilena, 19% no Taboão, 13,1% em outro bairro perto da escola, 8,6% em outro distante, 7,2% no Jardim Santa Inês, 6,8 no Jardim Paraíso e 9,5% noutros nos arredores.  

Sobre o Patrono

1958: uma mudança para ficar na memória

Por Julia Adeilda, aluna do 9E, turma de 2018. 



    A instigante história da E. E. Professor Plínio Paulo Braga começa em 1958 quando Sólon Borges dos Reis resolve prestar uma homenagem ao já falecido Plínio Paulo Braga. É importante ressaltar que o professor Plínio, ao contrário do que muitos pensam, nunca foi professor desta escola. O atual patrono teve sua trajetória em diversas escolas fora do município de Guarulhos, não interferindo na imagem que ele representa enquanto professor.
    Nascido no final do século XIX no município de Guaratinguetá, São Paulo, região do Vale do Paraíba, sede de microrregião, uma das subsedes da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte e um dos polos sub-regionais do Brasil litorânea de São Paulo. Filho de Zulmira Braga e Francisco Ignácio Braga. Conforme a historiadora e também ex-professora da escola, Marcelle Marques de Andrade, traça biografia do mestre Plínio relatando que ele se formou como professor na Escola Complementar de Guaratinguetá em 1906, iniciando sua carreira no magistério no ano subsequente em Ilhabela seguindo suas atividades como professor no litoral. Em 1915 foi convidado para ser o diretor da primeira escola estadual em Santa Cruz do Rio Pardo. Cinco anos após sua experiência profissional como diretor do Grupo Escolar de Santa Cruz do Rio Pardo foi nomeado o delegado de ensino em Catanduva e anos mais tarde exerce o cargo de Delegado de Ensino na capital paulista. Marcelle Marques de Andrade, destaca que além de muito dedicado a profissão Plínio era muito religioso, realizava trabalhos assistenciais ao lado de sua esposa dona Primitiva de Oliveira Braga, professora assim como ele. Plínio era um homem atuante naquele período histórico para a sociedade e com currículo profissional extenso. Deixa seu legado em 1958 quando vem a falecer.
    A misteriosa memória do professor Plínio não se acaba no fato dele nunca ter feito parte diretamente do processo histórico da escola. O material de sua biografia no acervo virtual é insuficiente, ou seja, apesar de Sólon Borges dos Reis o ter escolhido como homenageado não há informações concretas sobre sua trajetória de vida e profissional de forma diversificada, exemplo disso é a indeterminação da data de seu nascimento.
Segundo a análise de Thabatha Aline Trevisan em “Um estudo sobre os textos biográficos da “Galeria dos patronos de escolas” por Antônio D’Ávila (1980-1989)”, aborda os critérios usados para selecionar os patronos das escolas públicas . O parâmetro empregado em geral era de que o professor tinha de ser um modelo ideal a ser seguido, como se pode perceber nas palavras ditas pelo Antônio D’Ávila. “(...) para oferecer a juventude de hoje um modelo ímpar de dedicação absoluta ao estudo, de quem busca na exação de seus trabalhos escolares os fundamentos de vida dedicado à ciência e ao bem-estar do homem”. Thabatha Trevisan completa essas afirmações de D’Ávila com a crítica de que os biografados tinham a função de promover aos docentes “exemplos e estímulos a sua prática cotidiana escolar e como modelo a ser imitado pelos professores que, seguindo-os, esquecem-se da situação real de seu fazeres pedagógicos e de sua baixa remuneração, trabalhando em função de uma “missão divina “, de uma recompensa que “cairá do céu” e de uma forma possível de reconhecimento. 
    D’Ávila também contava com o Editor-Chefe do jornal, Sólon Borges dos Reis que era o responsável por escolher e encaminhar ao gabinete por ofícios as relações de professores considerados adequados ou exemplares para serem homenageados como patronos seguindo critérios como tempo de serviço prestado ao serviço público, os atributos morais, cívicos, religiosos e até mesmo aqueles que atingiram altos postos na administração pública. Sólon naquela época era presidente do Centro do Professorado Paulista o que facilitava a nomeação dos patronos. Quando Plínio veio a falecer em 1958 Sólon lhe prestou uma homenagem colocando seu nome no antigo Grupo Escolar do Taboão, que    passa a ser chamado E. E. Professor Plínio Paulo Braga.
   Coincidentemente nesse mesmo ano ficou conhecido como o “ano em que tudo deu certo” pelo jornalista Joaquim Ferreira, pois para ele, o país, anterior a essa data, passava pela angústia da transformação do Brasil rural para o país da modernidade. 1958 trouxe para o brasileiro episódios marcantes como o Brasil ser campeão da Copa pela primeira vez, João Gilberto lançou Chega de Saudades, o disco fundador da bossa nova. Nelson Pereira dos Santos inaugurou o Novo Cinema com seu primeiro filme Rio Zona Norte. O Brasil começava a fase da industrialização, deixando a era rural para trás na esperança do progresso. 
    Levando em consideração os aspectos observados sobre o professor Plínio Paulo Braga, compreende-se os motivos dele ter sido homenageado patrono da escola e que apesar deste grande mestre não ter participado diretamente da rotina da escola, ele nos deixou um grande legado: seu nome, e com ele sua importância. Sendo essencial que os alunos conheçam sua trajetória, não só para resgatar sua memória, mas também a fim de que as gerações futuras possam reconhecer na sua imagem a identidade da escola.


Para saber mais!

Pouco se sabe do patrono, sua cidade natal é Guaratinguetá, provavelmente o acervo sobre sua vida encontra-se nesta cidade.


 Coletamos alguns dados sobre o professor Plínio Paulo Braga:

  •  Documento de sua biografia (base): 

1. Galeria de patronos de escolas (26): Professor Plínio Paulo Braga. Jornal dos Professores, São Paulo, p. 7, nov. 1983.


2.  Pesquisa da professora Marcelle Marques de Andrade: http://aapah.org.br/2018/02/08/professor-plinio-paulo-braga/

3. 1958: uma mudança para ficar na memória. Por Julia Adeilda em http://jornalvirtualagora.blogspot.com/2018/06/1958-uma-mudanca-para-ficar-na-memoria.html

4. Thabatha Aline Trevisan em “Um estudo sobre os textos biográficos da “Galeria dos patronos de escolas” por Antônio D’Ávila (1980-1989)” em http://www.sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe4/individuais-coautorais/eixo02/Thabatha%20Aline%20Trevisan%20-%20Texto.pdf

  • Obra Publicada do Plínio:

BRAGA, Plínio Paulo. Programa Escolar Aritmética e Geometria. Rio de Janeiro. Francisco Alves, 1951.